24 abril, 2012

O meu livre pensamento



Amanhã é dia 25 de Abril dia da revolução dos cravos.  Politiquices à parte é um facto que muitos filhos da madrugada  pouco ou nada sabem do que foi o estado novo. É uma pena! Porque só o conhecimento pode manter firme o nosso direito à liberdade de expressão e o conhecimento implica conformarmo-nos com o que foi bom e o que foi mau e não colocar em mãos alheias os louros das nossas conquistas. Não podemos esquecer aqueles que, sem ansia de poder, glorificaram o ser humano, a liberdade e a fraternidade. Deixo aqui uma homenagem a 3 grandes homens que a politica teima em querer fazer esquecer : Salgueiro Maia, o capitão de Abril que entregou com flores a liberdade a uma nação; Aristides Sousa Mendes um herói que salvou vidas anónimas  durante a segunda guerra mundial, contra a vontade de um ditador e Humberto Delgado, o general sem medo, que veio restituir a um povo a ideia de que era capaz.
Não vamos esquecer aquilo que a historia nos ensina!
Não podemos deixar abandonar os sonhos e as esperanças  daqueles que sofreram e lutaram para que eu pudesse estar aqui a escrever e alguém por aí a ler...
Por isso escolhi a canção Abandono da Amália Rodrigues, um simbolo da cultura do nosso povo, que cantou esta canção em honra do seu amigo Alain Oulman, também ele um deportado devido ao seu livre pensamento. É esta a minha mensagem de hoje, através do projecto Amália Hoje, não esqueçam o que o ontem trouxe e o que a inércia nos pode trazer amanhã. Nós somos capazes : liberdade de expressão, livre pensamento, capacidade de resposta, conhecimento, educação, justiça e civilização SEMPRE!!

20 abril, 2012

Reconstruindo, um novo olhar



Nada se mantém igual. As coisas mudam, todas as coisas mudam. O que antes respirava vida e  transparecia  a agitação própria de quem tem um significado e uma posição, de um momento para o outro pode perder o valor e pouco a pouco ir desgastando as cores próprias que irradiava, esquecendo-se e fazendo esquecer a importância que teve.

É mais ou menos por essa altura que tudo fica indefinido e a insegurança assola os solos, os espaços, os recantos que ficam sem uso e deixam de fazer sentido. A inutilidade parece querer envelhecer tudo, como se fosse um vento de destruição lenta, modificando e plantando apenas lembranças onde antes alguma coisa vivia
Até que, finalmente algo novo surge. Alguém que traz consigo a vitalidade de uns olhos que não vira o passado e vêm apenas as estrutura enorme que  se apresenta aos olhos de quem quer ver. Alguém que não sabe o uso, as esperanças, as inúmeras vidas que passaram , que ficaram, que se foram...       


E tudo toma outra cor, inventam-se novas pespectivas. Sonha-se e sonha-se: dentro da nossa imaginação aquilo que vemos pode ser pintado com todas as cores e reflectir o que sonhamos



E assim abrem-se novas janelas, outros horizontes, reinventam-se utilidades e utilizações, dá-se uma nova vida a uma vida que já viveu outra vida e ocupou espaço em muitas vidas








Ás vezes aquilo que parece perdido está apenas adormecido, à espera que venham olhos que vejam outras perspectivas. E quando tudo parece esquecido renascem esperanças nos olhos dos que trazem um sorriso, a vitalidade e a capacidade de reconstruir a partir de ruínas , um novo sonho. É preciso coragem para recomeçar, é preciso romper com as lembranças que florescem do passado e fazer nascer por cima do que construiu e se destruiu, um novo espaço onde caibam ainda todos os sonhos e todas as esperanças que consigamos imaginar. Um local onde o mais precioso seja a vida , e a demonstração do quanto tudo é tão importante para nós.




E isto tudo apenas para te dizer que quando tudo parecia perdido e em ruínas tu foste a brisa que me trouxe a esperança de um novo horizonte, e que apesar de tudo parecer tão feio, hoje consigo ver mais perspectivas e quero reconstruir por cima do que o tempo levou.  Vou à tua procura, para te contar de mim,  até que chegue o nosso reino...

16 abril, 2012

A máquina das emoções (uma força harmoniosa)



Já aqui tinha falado desta música, fazendo uma reflexão sobre a lógica da coragem versus a força. É uma música de que gosto, tal como gosto que a coragem pontue as nossas atitudes sempre que é necessária a força para resistir a algum tipo de brutalidade ou até mesmo algum tipo de injustiça por mais insignificante que possa parecer. Gosto de perceber aquilo que ouço, aquilo que me é oferecido ou exposto. Por isso decidi traduzir, numa versão mais suave, talvez mais harmoniosa.
É imprescindível que vivamos a nossa vida de forma harmoniosa, tentando perceber o que se passa e transmitindo, serenamente, o que aprendemos a quem nos rodeia, porque são as coisas de que gostamos e aqueles que amamos que fazem a felicidade dos nossos dias. Porque adoro a minha lingua e o meu país e ainda acredito que podemos minorar os efeitos da torre de babel em que se tornou a nossa civilização. Porque sim! porque TE amo e gosto bastante que se sintam bem, dentro dos meus segredos, assim como gosto de os vestir, para ser ainda mais feliz!


Boa segunda-feira! Espero que gostem


Beijinhos





15 abril, 2012

Princess of China - coldplay at OneTrueMedia.com

É verdade, estive um pouco ausente... podia até inventar-vos mil e uma desculpas, mas não passariam disso mesmo, desculpas. Estive em momento de reflexão e introspeção, ambas necessárias se se querem evitar desculpas.
No intervalo produzi este filme, para animar uma música que eu considero especial, de uma das bandas internacionais que mais gosto. Espero que gostem também . Digamos que servirá um pouco como recompensa das minhas ausências.
Porque todas nós um dia desejamos ser um pouco princesas, porque somos únicas no meio de milhões, porque por mais muralhas que construamos à nossa volta, um dia alguém conseguirá entrar...
Um conselho: lutem sempre mais e mais pela vossa felicidade, em estado sólido

beijinhos e obrigada por saberem os meus segredos!

08 abril, 2012

Um sinal, da cruz

Quanto a vocês não sei, mas a mim a cruz incomoda-me. Incomoda-me o sofrimento, especialmente quando existe por amor, especialmente quando existe por injustiça, especialmente quando os amigos, que são suposto ajudarem se calam ou se negam, lavando daí as mãos.
Passaram para la de 2000 anos e mesmo assim, continuamos a cometer os mesmos erros, crucificando quem da a cara por as suas ideias, pelo amor ao próximo e glorificando o dinheiro e a traição.
Jesus foi um homem iluminado, talvez o que maior repercussão obteve, a defender a sua teoria da paixão, mas conseguiu-o a custa de uma historia macabra de traição e negação, que ao fim de dois milénios continua a repetir-se constantemente...

Poderemos nos afirmar com certeza que o homem e um ser inteligente?
E o amor ao próximo, onde fica, entre o dinheiro, o amor ao próximo??

Se calhar nesta Páscoa, vale a pena pensarmos, nem que seja só um pouco, o que significa para nos, o sinal da cruz.

Beijinhos a todos.

05 abril, 2012

Uma simples reflexão de passagem



Se as religiões podem ser um anestésico das sociedades, a fé é com certeza o alimento da alma. Estamos numa época de fé por excelência, numa época de "passagem". A natureza passa pela fase de renascimento para o esplendor, ou de inicio de dormência que lhe permite combater os sacrificios do Inverno, caso estejamos a norte ou a sul, respectivamente. Há quem festeje a libertação, há quem festeje o renascimento, após a prisão e o sofrimento. Há apenas quem festeje... Seja de que ponto de vista for, é a simplicidade que nos permite ver sempre o lado bom de tudo. O reencontro, a beleza, a importância das pequenas coisas que nos são familiares, ás quais por vezes pouco valor damos, mas que são a essência da nossa vida e que estão lá, mesmo quando não damos por elas. É a simplicidade dessas pequenas coisas que nos fazem importantes na vida dos outros, e é o respeito por elas que toda e qualquer religião nos deve fazer valorizar. Por mais que por vezes o caminho pareça inundado e cheio de pedras, há sempre uma restea de cor e de esperança, a primavera volta com as variações de todos os seus renascimentos e as coisas simples e familiares estarão lá, de braços abertos, para nos acolher na chegada...





Seja qual for o vosso credo ou religião, brigada por terem passado por aqui e desejo-vos uma boa Páscoa!



PS: Páscoa, do hebraico " pessach", que significa passagem

02 abril, 2012

Um carinho natural

Chove. No alpendre, a companhia silenciosa d'a lugar a uns afagos ligeiros e esporádicos. A chuva pa'ra e espreguiçando-se ele segue o seu caminho sem olhar para trás. Depois de alguma distancia percorrida pa'ra, dirije-lhe o olhar e espera. Ela não responde. Olhando-o fixamente mantem-se imovel, sem fazer a menor intencao de sair de onde esta.
Reinicia a chuva miudinha, irritante, o sol vai percorrendo o seu habitual caminho no horizonte, que hoje, embora escondido, se adivinha e a luz acompanha-o no caminhar em direcao ao poente. Fica fresco o ar da tarde. Abro a porta e chamo-a. Ela entra sem hesitar e sem sequer parecer preocupar-se com o paradeiro do companheiro. Enrosca-se na almofada costumeira e fecha os olhos.
Ouco o arrufar e os miados familiares e num salto ela esta de novo junto a porta como se de subito se recordasse duma existencia aparentemente esquecida. Ao reverem-se cumprem a danca costumeira entrelacando as caudas e acariciando a face e os bigodes numa espontanea demonstracao de uma saudade que e quase impossivel ser de tal ordem.
Vao-se, correndo em brincaddeira pelo corredor demonstrando o carinho que os une desde que para ca vieram os dois. Sem cobrancas, sem exigencias, mantendo cada um as suas preferencias, convivem, brincam, acarinham-se ou arrufam-se conforme a necessidade e as circunstancias, mas nunca se esquecem dos rituais de agradecimento diarios pela existencia um do outro.
Sera que fazemos o mesmo com o nosso companheiro, ou de todas, a primeira coisa que fazemos e' cobrar? Teremos nos ainda tanto assim que aprender com a natureza?