27 julho, 2012

Perdida ...na nuvem

Depois de perder...
Pela primeira vez em muito tempo voltei a caneta e ao papel ( talvez e só por uma questão de orientação do sentido, que ate a mim, por entre tantos e diferentes olhares me tem parecido cada vez mais perdido)

Talvez a minha escrita não te faca sentido, mas encontro-me neste momento desprovida de lógica e isso faz-me sentir perdida...

...Poderia começar pela raiva (???)
sobre ela nada resta a dizer, ate porque e essa a única verdadeira forma de expressão que ainda me consegue ser espontânea, por muito que isso me desiluda a mim mesma e (sei) a gentes de outras paragens...

...Podias ter ido para qualquer lado, mas foi para aqui que vieste e foi aqui que, em silencio, te acolhi ( deve ter sido das poucas coisas que não escolhi para a minha vida, racionalmente, nos últimos anos). Foste-me imposto, sem possibilidade de contenção, pelo coração ou por uma abençoada coincidência ( essas a quem chamam muitas coisas, mas eu, como acredito na felicidade, chamo-lhe destino) . Caiste em meu seio como a resposta a tantas preces que se fazem no torpor de viajens marítimas aos reinos encantados de morpheu, nas languidas oscilações entre o sonho e o desejo e que muito raramente se acredita poderem ser reais. UNICO!!!

Mas...

Fui desde cedo ensinada, por meus próprios passos, que sonho e realidade não se misturam, tal como o azeite e o vinagre, necessários a um bom tempero, mas incapazes se transformar numa substância homogénea.

E o medo? Posso falar do medo?

A perfeição e a única forma de se conseguir, sempre que se quer muito alguma coisa.
A perfeição e uma utopia.
O pedido - esse que não chegou, amordaçado no meu medo...
E a frustração traz a vergonha: o medo - a capa capaz de esconder qualquer um da luz...
E foi assim que te perdi

Ou vice versa ( se te perderes não faz mal, aconteceu-me vezes sem conta, entre devaneios e loucuras, espera , ha-de passar, protege-te da minha fúria)

Onde e que eu ia?

Foram as mais sentidas cartas de amor, as que te escrevi. Sabes, e tao mais fácil escrever do que falar. Foi, sem a sombra das duvidas, uma ideia de génio. Mas os génios só existem fechados em lamparinas, nas historias das mil e uma noites, e o peso das noites desfoca o sentido real a que a responsabilidade me obriga ( desculpa)

Já chegamos ao pesadelo?

Os gritos a meio da noite, a fuga pela salvação das almas perdidas, a culpa, o inferno a acenar com sorrisos maliciosos e a prisão devida aqueles que pelos seus actos não merecem mais do que o choro e o ranger de dentes - EU!! ( Ou uma Visão distorcida de mim a necessitar urgentemente de controlo e contenção)

Fecha de novo dentro da caixa de pandora o que provocou os males do mundo - os meus sentimentos ( e de preferência joga fora a chave que permite o encontro de tantos mundos a funcionarem em paralelo)

EU NAO QUERO UMA RESPOSTA MAGICA, nem tao pouco viver de sonhos ( estava a gritar? Desculpa tenho dificuldades ainda...)

Mas sabes?...

Tu és o meu herói. Mesmo que o filme perca a qualidade, que a estreia tenha sido há já demasiado tempo, mesmo que as piadas percam o sentido, os sorrisos se desajustem, mesmo que as falas pareçam desadequadas. Se a heroína não for um modelo e o herói não tomar sempre a decisão mais correcta, podem sempre acabar felizes numa ilha perdida no meio do oceano.

e a mao?

Isso foi antes de te perder, não foi?

Se não ta dei, se não te apoiei, foi porque não sabia qual era o meu lugar...
Será que agora já sei?
Pela primeira vez, em muito tempo...falei...


Tirei daqui : www.meusolhares22.blogspot.pt